Juiz de Fora,

208 autuações por dia é pouco

Juiz de Fora, 26 de Julho de 2009.

      "Diariamente tem PM ou agente multando. Os carros param em local errado, mas deveriam apitar para que o motorista tirasse o veículo. Na maioria das vezes, já chegam anotando".
      Esta frase de um comerciante do São Mateus define bem a que ponto a sociedade de Juiz de Fora chegou. É fácil ver infrações de trânsito sendo cometidas em nossa cidade, ficamos indignados quando o condutor avança o sinal vermelho do semáforo, quando estaciona sobre o passeio dificultando ou impedindo a passagem do pedestre e outras tantas que acontecem a cada segundo, mas, ainda mais indignados ficamos por "receber" uma multa. Juiz de Fora possui uma frota de 160 mil veículos, pense bem, qual seria a quantidade real de autuações se todas fossem computadas?
      Infelizmente, nossa cidade carece de pessoas de coragem, pessoas que deveriam zelar pela integridade física dos cidadãos, pois quando alguém avança um sinal vermelho, faz uma conversão em local proibido, fala ao celular enquanto dirige... está colocando em risco a vida de outras pessoas. Já passou da hora de se implantar em JF o radar de avanço de sinal, velocidade e parada sobre a faixa, instalar câmeras de vigilância para o centro, reduzir a área de estacionamento nos dois lados da via, priorizando a fluidez e contratar mais agentes, para que a fiscalização nos bairros possa acontecer com a freqüência necessária.
      A parte educativa do processo está sendo feita pelos agentes através de blitzen mensais, abordando temas sobre as principais infrações cometidas, numa tentativa de sensibilizar os condutores para que não mais cometam o mesmo erro; o projeto TEST - território escolar seguro no trânsito - envolve as crianças e a comunidade buscando solucionar problemas relativos ao trânsito no entorno da escola e incutir a cultura da civilidade, naqueles que serão os futuros motoristas.
      O baixo índice de acolhimento (CDA) ou provimento (JARI) de recursos deve-se ao excelente nível de profissionais, tanto de agentes municipais quanto da Polícia Militar, que autuam procurando relatar com clareza o fato ocorrido, diminuindo consideravelmente a chance de o infrator conseguir o cancelamento do AIT.
      Para Aristóteles, o bom senso é "elemento central da conduta ética, uma capacidade virtuosa de achar o meio termo e distinguir a ação correta". Infelizmente, nossa sociedade o confunde com o senso comum, ou seja, as pessoas querem fiscalização, porém, só para os outros. Ao invés de se reclamar sobre a industria das multas, o cidadão deveria exigir que o poder público gastasse o dinheiro arrecadado conforme está definido na deliberação Nº 33 do CONTRAN.

Marcos de Souza Lana


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